quarta-feira, 19 de junho de 2013

Rude Doçura


Ah, quem me telefonaria
A essas horas,
Senão o puro orvalho
Em carruagem de cristal!

Serão as pombas
Que carregam
O céu nas asas?

Ou quem sabe
Um filho que não tive
Que seja um antepassado
Poeta?

Qualquer gente:
Formiga carregando piano,
Grilos carregadores
De pedras...

Todos, menos ela!

Telefonam embrulhos,
Telefonam lamentos,
Mas nenhum som da voz dela!

Nem mesmo um
"Olá, como vai?"
Para saudar o ciclo das flores
Que se fecha...


Acreis, 11/12/2004, RJ

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