sábado, 25 de agosto de 2012

REFLEXÕES SOBRE ALGO


"quem descreve algo deve despir-se das vicissitudes..."

A autêntica imagem do que era uma exceção 
vincula-se sob suspeita.

Tenho por costume ilustrar a existência do que é efêmero,
Não de tudo que existe, 

mas daquilo se  expressa como virtude.

Se eu negasse o caráter afetuoso de qualquer encanto, seria o pioneiro nessa arte.
Mas há, sempre, algo de digno na prudência,

em qualquer época,

Nas evocações das almas, 
nas incorporações das personagens,
 ou em simples gestos.
Sobremaneira, o que procuro aprimorar 
é o teor do que é valioso, 
como o clima de uma cena,
A forma como se escreve coisas íntimas, 
prestigiando o que não foi estimado,

Superando o que ainda não foi imaginado nem sabido.
Sempre, com vigor incomum, 

quem descreve algo deve despir-se das vicissitudes,
Transitando entre o verossímil e o encantado,
Desconhecendo o que sabe, 
ousando encantar-se, 
sem magoar o que se manifesta.
Não há fórmulas. 

O que há é a imorredoura paixão, esplêndida, 
presente sempre que é chamada,
Sem qualquer insistência, 
avaliando o momento do afeto, somente.
Tem ainda os rituais, 
de maneira tal que, 
agraciados, tornam-se verdadeiros,

Para revelarem vínculos sentimentais,
Incorporados a encantamentos.
Há diversas razões para se buscar o deleite:
Afugentar o que não se conduz, 

de fato;
 desfrutar o adequado 
e adequar-se ao estimado.


Acreis, 21/11/2010."

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