sexta-feira, 4 de maio de 2012

Gazel do Amor Desesperado (Lorca)

  
A noite não quer vir
para que tu não venhas,
nem eu possa ir.

Mas eu irei,

inda que um sol de lacraus me coma a fronte.

Mas tu virás

com a língua queimada pela chuva de sal.

O dia não quer vir

para que tu não venhas,
nem eu possa ir.

Mas eu irei

entregando aos sapos meu mordido cravo.

Mas tu virás

pelas turvas cloacas da escuridade.

Nem a noite nem o dia querem vir

para que por ti morra
e tu morras por mim.

Federico García Lorca, in 'Divã do Tamarit'
Tradução de Oscar Mendes

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